A Portuguesa

Quando andei no liceu aprendi a versão completa do Hino Nacional que aqui é mostrada. Mas o motivo de pôr aqui este vídeo é porque acho interessante os comentários ao mesmo.

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Cogumelos No Território Português

Adoro cogumelos, não só de os comer, mas também de os fotografar. Por isso não resisti a partilhar este artigo.

O Retiro do Sossego

Cogumelos silvestres

Amanita curtipes (nome comum desconhecido)

Pode confundir-se com a variedade Russula

Amanita gemmata (nome comum desconhecido)

Cogumelo a rejeitar para uso culinário

Amanita muscari (nome comum – amanita mata moscas, mata bois, frades de sapo)

Tóxico

Amanita rubescens (nome comum – amanita vinhosa, pé vermelho)

Devem ser tomadas precauções quer mo recolha, quer na confecção. Nunca devem ser consumidos crus. Devem ser muito bem cozinhados. Se não se tiver a certeza, rejeitá-los pura e simplesmente. Susceptível de confusão com o A. pantherina. O Amanita rubescens tem uma percentagem de hemolosinas superior ao mortal A. phaloides.

Astraeus hygrometricus (nome comum – estrela da terra)

Sem valor gastronómico

Cantharellus cibarius (nome comum – cantarelas, canários, gema de ovo, sanchas)

Muito bom para usos culinários. Contém oito tipos de aminoácidos benéficos para a saúde humana e vitamina A. Existem dois tipos de cogumelos semelhantes, o falso cantarelo (hygrophoropsis aurantiaca) que é…

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O Frigorífico do Peixe de Massarelos (Porto)

Há décadas (nem me lembro quantas) que sempre que dava aquele passeio, tão do meu agrado, pela marginal do Douro, no Porto, reparavava demoradamente e com crescente indignação, num edifício muito degradado, mas que, mesmo assim, deixava transparecer o que outrora deveria ter sido mais um dos muitos e belos exemplares da arquitectura modernista no Porto.

Para ilustrar o que digo, eis uma fotografia que tirei, há alguns meses, ao referido edifício:

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Na altura, não tive como saber que edifício era este. Contudo, depois de muito pesquisar na Net, fiquei a saber do que se tratava.

Classificado como imóvel de interesse público em 1977 (ver link do IGESPAR), esta construção dos anos 30 do século passado, com desenho do arquitecto Januário Godinho, teve a função, até aos anos 60, de lota do peixe.

Há uma descrição mais pormenorizada deste imóvel neste link da Universidade do Porto.

No Porto, como em todo o país, muito património foi irremediavelmente destruído, mas também muito foi recuperado. Um exemplo recente disso foi a transformação do antigo cinema Águia d’Ouro. E, segundo apurei no site Porto24, será também esta a solução para o antigo Entreposto Frigoríco do Peixe de Massarelos. A sua localização é previlegiada — de frente para o rio e ao lado do museu da STCP.

Este escapou, como décadas de abandono, mas escapou. E o antigo edifício do CLIP, na Foz do Douro escapará, já que não é mais que um esquelecto exposto aos anos, às intempéries e à estupidez de quem de direito (ou indireito)?

Ruin'Art-1218A imagem acima foi tirada do excelente blog Ruin’Arte que tem um artigo sobre este assunto.

A Wikipédia também se faz a partir do Porto.

Desde que me mudei para o Porto que me queixo frequentemente da falta de eventos culturais e até mesmo dum nível bem inferior ao de Lisboa. É claro que os portuenses ficarão ofendidos com este meu modo de ver as coisas, porque, ao fim e ao cabo, o que é preciso é procurar.

Vejo semanalmente o excelente (e premiado) programa do Porto Canal, da autoria do Dr. Joel Cleto “Caminhos da História“, onde muito tenho aprendido. Fiquei inclusive a saber que a Wikipédia em Português também se faz a partir do Porto. Poderá ler neste link um artigo sobre o assunto.

Fleurette Tréfaut

As minhas recordações:

Nos meados dos anos 1980 decidi aprender Russo. Para tal inscrevi-me na Associação Portugal — URSS que ficava num prédio antigo à Lapa, em Lisboa. Falei com uma senhora que tratava dos assuntos administrativos. Desde logo ela despertou a minha curiosidade; tinha um sotaque estranho que eu, na minha ignorância inicial, julguei ser russo. O seu rosto austero e enrrugado, a simplicidade com que se vestia e a frugalidade nas palavras fizeram-me prescrutar repetidamente o olhar e o comportamento daquela mulher que achava misteriosa. Soube mais tarde o seu nome — Fleurette — e que o sotaque era francês. Isto intensificou mais as minhas conjecturas sobre essa mulher. Que diabo estava uma Francesa a fazer na Associação Portugal – URSS? Motivos políticos, em França? Estranho!

Frequentei a Associação durante três anos (o tempo que durou o curso) e de Fleurette nunca soube nada e nem jamais um sorriso lhe vi.

Há uns anos atrás, estava eu procurando alguma coisa de interesse na televisão, quando uma imagem na RTP2 atraiu a minha atenção. Disse para mim: “conheço esta cara”. Fiquei a ver o programa para descobrir de que se tratava, e quem era aquele rosto familiar.

Logo a voz, o sotaque, o olhar inexpressivo reavivaram as minhas memórias de vinte anos atrás. Era Fleurette, aquela figura misteriosa que tentava passar despercebida e que agora estava ali, exposta na TV, aos olhos de todos.

Quase todas as minhas conjecturas foram esclarecidas. Digo quase todas porque, até mesmo para com o filho — o autor do documentário, ela foi frequentemente lacónica.

O documentário:

O que afinal estava a passar na televisão, era um documentário do realizador Sérgio Tréfaut sobre sua mãe — “Fleurette” (2002). Eis a sinopse:

“Será que conhecemos as pessoas que nos são próximas? Será que as queremos conhecer? Será que elas querem que nós as conheçamos? Fleurette é um documentário autobiográfico onde o realizador interroga os pais e o irmão, em complexa estratégia de auto-descoberta. Atravessando grande parte do séc. XX, da França dos anos 40, ao Portugal da Revolução de Abril, passando pela ditadura brasileira, é também uma narrativa comovida sobre as contradições da estrutura familiar, no quadro mais vasto da história recente.”

Fiquei boqueaberta e também chocada com o que ouvi, tanto por parte de Fleurette como do seu filho mais velho. Que mundo de vivências aquela mulher escondia; e escondia dos filhos, de todos enfim, a sua turbulenta história.

No blog da disciplina “Documentarismo e Antropologia Visual” do Departamento de Línguas, Comunicação e Artes da FCHS/Ualg lê-se o seguinte:

“(…) o documentário “ Fleurette”, onde ele vai proporcionar uma viagem à memória da sua mãe, na tentativa de montar um “puzzle” que o tempo fez questão de baralhar.

(…) Sérgio Tréfaut procura compreender o passado atribulado da mãe, e desvendar os obstáculos que Fleurette sente aos 79 anos, a inquéritos sobre o seu passado. Mas vai ao longo do filme desvendando, pouco a pouco, acontecimentos secretos e revelando outra vida.

(…) além do testemunho da sua mãe, o realizador interroga o pai e o irmão, em complexa estratégia de auto-descoberta, acaba por passar as fronteiras da ficção, lançando um belíssimo olhar sobre uma história familiar.

Esta busca da compreensão das suas origens através da memória da sua mãe, que por vezes, é dividida através do testemunho do seu irmão, é de facto, um dado importante, pois será apresentada toda a história de uma família, (…).

A própria personagem de Fleurette, na qual se centraliza toda a narração do discurso autobiográfico, transmite ao longo do filme diversos pontos de melancolia e mesmo de tristeza. Na verdade há uma dor imensa ao desenterrar toda uma história que, embora vivida com alegria, foi no fundo uma história de vida muito conturbada, que ela fez questão de apagar.

O documentário apresenta uma narrativa linear, na qual a passagem do tempo é estabelecida através do recorrer dos factos históricos: a 2ª Guerra Mundial, a libertação de França, a Revolução de Abril e também das sucessivas fotografias em forma gradual até chegar à geração do realizador. Pois atravessa grande parte do século XX, da França dos anos 40, com fragmentos de histórias de amores e desamores, de colaboracionismo e neutralidade, ao Portugal da Revolução de Abril, é também um registo de uma narrativa comovente sobre as contradições de estrutura familiar, no quadro mais vasto da história recente.”

Também fiquei a saber que Sérgio e seus dois irmãos são igualmente filhos do escritor Miguel Urbano Rodrigues.

Mas muito ficou por esclarecer, porque Fleurette, para frustação e revolta dos filhos, deixou obstinadamente por revelar as razões de muitos dos factos da sua vida.

Tal como para mim vinte anos antes, Fleurette foi e continuou a ser uma mulher misteriosa.