Um “Poema” de Janita Salomé

Gosto muito de Janita Salomé desde que ouvi o álbum “Cantar ao Sol” de 1983. Infelizmente é um cantor/compositor pouco divulgado.

O que me agrada em muitas das músicas dele, são os sons do Magreb que mistura com poesia luso-árabe. Todavia, as suas canções transportam-nos às amplas planuras cálidas do Alentejo.

Para ilustrar, escolhi uma das minhas favoritas. É muito pouco conhecida. Chama-se “Poema” e é do álbum de 1987 “Olho de Fogo”. A música de Janita Salomé com o poema de José Bebiano formam um doce embalo que faz sonhar.

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Rock Nacional

Não morro de amores por este estilo musical feito em português e só conhecia esta banda de nome. Mas um dia, ao ver umas coisas no YouTube, dei com este vídeo e achei que a música não fica muito a dever ao que se faz nos países anglófonos.

Canção de Portugal

Esta é, para mim, a canção que representa o Portugal da transição do século XX para o século XXI. Representa um “Portugal-outro, mas bem conhecido, aquele que cada português transporta com uma obssessão e um temor sagrados nos seus confrontos com espelhos alheios”.


Por espelhos alheios posso tomar como exemplo a música pop ou fusion que se faz na Europa. É que nesta canção de 1993, os arranjos feitos por Dulce Pontes, Guilherme Inês e Ramón Galarza à melodia de Ferrer Trindade, conferiram-lhe excelência em contemporaneidade e internacionalidade. Prova disso é o uso que Hollywood e muitos cantores estrangeiros têm feito desta versão e não de outras.

Mas, no tempo da ditadura, a letra de Frederico de Brito não era do agrado dos da situação. Por isso, no YouTube, só se ouve a Amália Rodrigues a cantar um fado chamado “Solidão”, com a mesma melodia da “Canção do Mar” (ver aqui história desta canção).

O videoclip está muito bem concebido. O farol, o guia de homens de vida dura, como os que podemos ver nas tocantes cenas do filme de Leitão de Barros “Maria do Mar“. Também os penhascos do Cabo Espichel, alteando sobre a imensidão oceânica, dão a sensação de infinidade.

A silhueta solitária da cantora em trajes esvoçantes, acompanhada do perfil de um antigo morábito e do vôo da gaivota, sugerem viagens de ida, insinuam outros lugares e outros tempos.

Esta é a canção do nosso mar, o mar num apelo que se estende ao país inteiro a todo o povo, um povo antigo temperado a sal.

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Nota: Todas as citações são de Eduardo Lourenço, na sua obra “O Labirinto da Saudade”.

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Em Julho de 2013, num concerto no Odeon de Herodes Aticcus em Atenas, Dulce Pontes apresentou uma outra versão da “Canção do Mar”, igualmente pujante, igualmente bela (os aplausos confirmam as minhas palavras).

“Alcácer Que Vier”

Reparei há tempos que uma das minhas canções portuguesas favoritas (são pouquíssimas) não está mais no YouTube, pelo menos com qualidade — “Alcácer Que Vier”. Por isso, fiz um video com a dita canção e aproveitei a ensejo para contar a Batalha de Alcácer Quibir de uma maneira diferente. Foi também a primeira vez que trabalhei com o programa de video Sony Vegas Pro.