Mais Um Projecto Interessante

Desta vez a iniciativa é da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O site do Projecto Marcas da Ciências e das Técnicas pelas Ruas de Lisboa visa disponibilizar instrumentos que propiciem bons hábitos de descoberta e momentos de bem-estar, fornecendo pistas para sentir o pulsar dos bairros históricos lisboetas, num melhor e mais perdurante aproveitamento científico e técnico, e, por isso mesmo, também cultural.

Neste site pode-se obter documentação e/ou informação sobre instituições, estabelecimentos, ruas de Lisboa, ligadas à cultura, à indústria, etc.

Gravura do Colégio do Nobres retirada do referido site.

Como exemplo poderei citar a ficha relativa ao Beco do Colégio dos Nobres onde se pode encontrar informação sobre esse antigo estabelecimento de ensino.

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Um Poço na Madragoa

Vi há dias no OLX um andar para arrendar, na Rua do Machadinho, que, ao que parece, tem um antigo poço no exterior.

Penso, e espero não estar enganada, que este tipo de poços não abunda em Lisboa e, por isso, deveria ser protegido.

Em baixo está a imagem do dito poço feito, ao que parece, de pedra lioz, com o que resta de uma cruz de ferro.

O link do anúncio é: http://lisboacity.olx.pt/atelier-apartamento-na-madragoa-iid-81637660

Este post, de minha autoria, foi publicado no blog Cicadania LX.

Hotel Francfort – Rossio (Lisboa)

Sendo eu natural de Lisboa, tendo vivido lá grande parte da minha vida e, apesar de a ter trocado pelo Porto, não deixo de estar a par do que por lá se passa e de me preocupar pelo seu património. Também, graças à minha mãe, conheço pequenos e esquecidos recantos de interesse histórico, muitos deles desaparecidos ou escondidos. Existem ainda aqueles que estão ligados a momentos felizes da minha infância, como é o caso do Hotel Francfort (não confundir com o Hotel Francfort da Rua Augusta, com entrada pela Rua de Santa Justa).

Durante anos e anos não encontrei informação alguma sobre este hotel. Contactei inclusive a empresa proprietária daquele imóvel (informação que obti na Net) — Hotéis Alexandre de Almeida — que, embora me tenham respondido, nada soberam me informar sobre o assunto.

Há pouco tempo encontrei uma gravura do hotel no blog de Marina Tavares Dias, mas nenhuma informação.

Mais tarde escrevi um texto para o blog Cidadania LX, acerca de elevadores “escondidos” de Lisboa, em que mencionava este hotel a propósito do seu elevador.

As recordações que tenho de visitas que fiz a esse hotel são da infância — década de 1960. Por isso elas estão muito nubladas e podem ter sido deturpadas com os anos. Contudo, o que me lembro deste hotel, dos finais do século XIX, era a sua sutornidade: recepção e corredores mal eluminados e quartos austeros. Mas havia dois lugares simpáticos: a sala de leitura tinha, junto às janelas que davam para a Praça da Figueira, duas escrivanhinhas duplas com canetas e papel timbrado; o elevador antigo, embora não tivesse nada de espectacular, era bonito. Apresento, em baixo, duas imagens, que encontrei na Net, de uma escrivaninha e de um elevador parecidos com o que existia no Hotel Francfort.

O tipo de escrivaninha do hotel era idêntico a este, mas com as partes metálicas cromadas.

Elevador alemão de 1907 idêntico ao do Hotel Francfort.

De vez em quando ia ao Google ver se havia mais alguma coisa sobre o Hotel Francfort do Rossio. Até que há poucos dias reconheci uma imagem cuja legenda dizia ser a entrada do nº 113 no Rossio:

Porta de entrada do Hotel Francfort (nº 113 no Rossio) tal como está actualmente.

Nunca poderia deixar de reconhecer aquela porta, de tanto a olhar anos a fio, sempre que por ali passava. Olhava o seu triste estado, repleta de restos de cartazes; pelo menos sempre assim a vi desde o seu encerramento após o 25 de Abril de 1974.

O artigo a que pertence esta imagem e uma outra que mostro mais abaixo, pertencem a um post do blog “Cidadania LX” que a seguir transcrevo:

URGENTE/ALERTA sobre edifício sito na Praça D. Pedro IV (ROSSIO) nº 113  

O medonho aspecto da entrada — quase 40 anos de abandono. (minha legenda)

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa,
Exmo. Senhor Vereador do Urbanismo
Arq. Manuel Salgado

Vimos pelo presente alertar V.Exas. para o facto da porta deste prédio no Rossio continuar escancarada, pelo que poderá haver perigo iminente caso se registge invasão do seu interior, quer porque poderá acarretar actos de vandalismo, quer porque poderá descambar num incêndio, como aconteceu recentemente, aliás, com o prédio mesmo ao lado.

Como é possível esta situação? Negligência dos proprietários? Desleixo calculado e intensional?

Trata-se, como se sabe, do edifício da Pastelaria Suíça.

Achamos que É PRECISO QUE A CML TOME PROVIDÊNCIAS!

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

António Branco Almeida, Luís Marques da Silva e Fernando Jorge

http://cidadanialx.blogspot.pt/2012/06/urgentealerta-sobre-edificio-sito-na.html

Feliz, apesar de tudo, por finalmente alguém se dar conta daquele edifício e lhe ter aberto a porta, comentei este post.

Não se sabe ainda o destino que a Câmara Municipal de Lisboa ou os proprietários irão dar a este imóvel — espero que não tenhamos de esperar mais não sei quantas décadas.

Pela mesma altura, encontrei na Net mais uma imagem do Hotel Francfort (datada de 1950) no blog “Restos de Colecção“:

O Novo Museu dos Coches

Imagem actual da obra

Veja-se a estructura desta parte do edifício.
Foto: RNLatvian (https://www.panoramio.com/photo/72573134)

Para este caso em particular, não sou a favor dos museus municipais ou regionais. Um tão grande número de carruagens (parece que 73) e que abrange um período de três séculos (XVII – XIX) é um caso único no mundo e, nos países mais ricos da Europa, não há nada de equivalente devido às muitas guerras que os assolaram, destruindo grande parte desse tipo de património.

Portanto, sendo o Museu Nacional dos Coches o mais importante museu português, é justo que tenha instalações a condizer e que seja centralizado na capital.

O velho edifício neoclássico do século XVIII, construído para ser o Picadeiro Real, foi, ainda no reinado de D. Carlos, transformado em museu dos coches reais.

Dois carros do núcleo de Vila Viçosa

No século XX, grande número de carros de tracção cavalar ou muar, pertencentes a espólios de variadas instituições, engrandeceram o museu dos coches, não só em Lisboa como também o seu núcleo de Vila Viçosa (Paço dos Duques de Bragança).

O Salão Nobre, acanhado e com pouca luz

O ambiente pouco iluminado e acanhado do antigo picadeiro não era mais bastante para tão importante conteúdo e há muito tempo que se falava na construcção de um novo museu. Além do mais, e embora isso desagrade aos alentejanos, havia que juntar os espólios de Vila Viçosa e Lisboa.

O novo museu é quase em frente do antigo.

À esquerda o antigo museu; à direita o novo.

Em 2010 foi lançada a 1ª pedra do novo edifício que se situa quase em frente do antigo. O projecto é da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Archias Mendes da Rocha e aqui começa (ou continua) a asneira. É certo que o edifício do antigo museu foi projectado por uma arquitecto italiano, o que faz crer que a mania das estrangeirices vem de longa data. Mas, francamente, não há arquitectos capazes em Portugal?

Dizer apenas que o edifício é um mono é ser intransigente e simplista.

Grande janela do novo edifício com vista para a estação ferroviária de Belém.

Trata-se de uma “caixa” com a área aproximada de um campo de futebol suspensa a 4,5 metros do chão, para possibilitar, segundo o arquitecto, que as pessoas continuem a passear naquela zona sem impedimentos. Sob temperatura, luz e humidade controladas, espaço amplo e largas janelas ficarão expostos cerca de 60 coches.

Pela imagem acima, pode-se ver que a concepção do interior permite fazer sobressair cada objecto exposto, assim como a livre circulação dos visitantes. Mas se, ao nível do solo o arquitecto deixou espaço para passeio e vislumbre da area em redor, faz cegar, quanto a mim, a visão de quem por ali andar, devido áquele imenso branco rectilínio, vazio, “clean”, aborrecido, desolador e incómodo para o olhar.

Uma extensa e árida brancura
Foto: RNLatvian (https://www.panoramio.com/photo/72573130)

O novo museu tem abertura prevista para os finais do próximo ano.

Mas, e quanto ao edifício antigo? Na mesma altura da idealização do novo museu, foi aventada a intenção (outra asneira) para que o antigo passasse à sua finalidade inicial, ou seja, a de picadeiro.

Ainda em meados dos anos 90, tanto o LNEC quanto o Instituto Centrale per il Restauro (Itália) concluíram ser aquele espaço incompatível com as ditas funções porque dadas as características do edifício, deixar que o seu salão fosse palco de espetáculos regulares, com cavalos e bastantes pessoas a assistir, teria, por variados motivos, consequências nefastas para a conservação dos elementos de construção, nomeadamente os de madeira e os de estuque de gesso.

Ficamos, portanto, sem saber que tipo de polo do Museu Nacional dos Coches será o edifício do antigo Picadeiro Real.

No que diz respeito a este assunto — o do picadeiro — e porque não existe uma estrutura especializada para os espectáculos da Escola Portuguesa de Arte Equestre ou exibição do cavalo português, fiz uma sugestão que expus no blog Cidadania LX que espero não ser (também) uma asneira.

E por falar em asneira, fiquei a saber (no blog Cidadania LX) que o magnífico Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, um projecto de Álvaro Siza Vieira, continua sem utilização. É simplesmente escandaloso!