O Novo Museu dos Coches

Imagem actual da obra

Veja-se a estructura desta parte do edifício.
Foto: RNLatvian (https://www.panoramio.com/photo/72573134)

Para este caso em particular, não sou a favor dos museus municipais ou regionais. Um tão grande número de carruagens (parece que 73) e que abrange um período de três séculos (XVII – XIX) é um caso único no mundo e, nos países mais ricos da Europa, não há nada de equivalente devido às muitas guerras que os assolaram, destruindo grande parte desse tipo de património.

Portanto, sendo o Museu Nacional dos Coches o mais importante museu português, é justo que tenha instalações a condizer e que seja centralizado na capital.

O velho edifício neoclássico do século XVIII, construído para ser o Picadeiro Real, foi, ainda no reinado de D. Carlos, transformado em museu dos coches reais.

Dois carros do núcleo de Vila Viçosa

No século XX, grande número de carros de tracção cavalar ou muar, pertencentes a espólios de variadas instituições, engrandeceram o museu dos coches, não só em Lisboa como também o seu núcleo de Vila Viçosa (Paço dos Duques de Bragança).

O Salão Nobre, acanhado e com pouca luz

O ambiente pouco iluminado e acanhado do antigo picadeiro não era mais bastante para tão importante conteúdo e há muito tempo que se falava na construcção de um novo museu. Além do mais, e embora isso desagrade aos alentejanos, havia que juntar os espólios de Vila Viçosa e Lisboa.

O novo museu é quase em frente do antigo.

À esquerda o antigo museu; à direita o novo.

Em 2010 foi lançada a 1ª pedra do novo edifício que se situa quase em frente do antigo. O projecto é da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Archias Mendes da Rocha e aqui começa (ou continua) a asneira. É certo que o edifício do antigo museu foi projectado por uma arquitecto italiano, o que faz crer que a mania das estrangeirices vem de longa data. Mas, francamente, não há arquitectos capazes em Portugal?

Dizer apenas que o edifício é um mono é ser intransigente e simplista.

Grande janela do novo edifício com vista para a estação ferroviária de Belém.

Trata-se de uma “caixa” com a área aproximada de um campo de futebol suspensa a 4,5 metros do chão, para possibilitar, segundo o arquitecto, que as pessoas continuem a passear naquela zona sem impedimentos. Sob temperatura, luz e humidade controladas, espaço amplo e largas janelas ficarão expostos cerca de 60 coches.

Pela imagem acima, pode-se ver que a concepção do interior permite fazer sobressair cada objecto exposto, assim como a livre circulação dos visitantes. Mas se, ao nível do solo o arquitecto deixou espaço para passeio e vislumbre da area em redor, faz cegar, quanto a mim, a visão de quem por ali andar, devido áquele imenso branco rectilínio, vazio, “clean”, aborrecido, desolador e incómodo para o olhar.

Uma extensa e árida brancura
Foto: RNLatvian (https://www.panoramio.com/photo/72573130)

O novo museu tem abertura prevista para os finais do próximo ano.

Mas, e quanto ao edifício antigo? Na mesma altura da idealização do novo museu, foi aventada a intenção (outra asneira) para que o antigo passasse à sua finalidade inicial, ou seja, a de picadeiro.

Ainda em meados dos anos 90, tanto o LNEC quanto o Instituto Centrale per il Restauro (Itália) concluíram ser aquele espaço incompatível com as ditas funções porque dadas as características do edifício, deixar que o seu salão fosse palco de espetáculos regulares, com cavalos e bastantes pessoas a assistir, teria, por variados motivos, consequências nefastas para a conservação dos elementos de construção, nomeadamente os de madeira e os de estuque de gesso.

Ficamos, portanto, sem saber que tipo de polo do Museu Nacional dos Coches será o edifício do antigo Picadeiro Real.

No que diz respeito a este assunto — o do picadeiro — e porque não existe uma estrutura especializada para os espectáculos da Escola Portuguesa de Arte Equestre ou exibição do cavalo português, fiz uma sugestão que expus no blog Cidadania LX que espero não ser (também) uma asneira.

E por falar em asneira, fiquei a saber (no blog Cidadania LX) que o magnífico Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, um projecto de Álvaro Siza Vieira, continua sem utilização. É simplesmente escandaloso!

Anúncios

7 comments on “O Novo Museu dos Coches

  1. Rudolf Noronha diz:

    Bom dia L.Garcez, ao mesmo tempo em que me alegro ao ver em seu blog duas de minhas fotos (a segunda e a última), me entristeço em não ver nenhuma referência a minha autoria. Solicito que as mantenha, mas que faça referência a sua origem, no Panoramio, com minha alcunha, RNLatvian! Abraços!

    • L.Garcez diz:

      Estimado Rudolph Noronha,

      Na verdade evito últimamente publicar fotografias de terceiros, mas uma vez li por alto algo sobre o Panoramio e fiquei convencida de que era public domain.
      Bom, como é a primeira vez que alguém, com razão e gentilmente, reclama direitos autorais, pedia-lhe que me elucidasse como devo fazer referência ao autor das fotos, ou seja, que texto quer que figure junto das fotos. Como já escrevi o artigo há muito tempo, não sei quais são as suas fotos, pelo que peço que me diga, indicando em que ordem se encontram.
      Pedindo desculpa pela minha falha e agradecendo o seu email, aguardo suas notícias.

      Laura Garcez

  2. Rudolf Noronha diz:

    Olá Laura Garcez, hoje passei mais uma vez por sua página, só agora vejo seu post de 25/5/2014! Referindo-me à citação, do jeitinho que está me parece bem adequado. A esta altura o novo edifício já deve estar inaugurado, será que lhe agradou um pouquinho mais? Na verdade, o que mais me agrada naquela áreas são os pasteis de Belém. Um grande abraço, Rudolf Noronha.

    • L.Garcez diz:

      Olá Rudolf Noronha. Como vê só agora passei por aqui e foi só para passar para rascunho uns links que postei. Isto é efeito das redes sociais (Pinterest e Facebook) que me tiram a vontade de escrever nos blogs. Ainda por cima não me apetece estar no PC; faço tudo no tablet. Infelizmente mudei-me para o Porto em 1999 e raramente vou à minha santa terrinha. Quanto aos pastéis de Belém poderia atravessar a rua e experimentar os pouco conhecidos pastéis de cerveja. Um abraço.

      • Rudolf de Noronha diz:

        Minha cara Laura, já está anotado, em minha próxima ida a Lisboa, pastéis de cerveja!!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s