Dois Cinemas, Dois Destinos

Quando já tudo parecia indicar que o seu destino seria o camartelo, o edifício do antigo cinema Águia d’Ouro renasce das cinzas (mesmo que só a fachada) e dá lugar a um hotel.

Quando o cinema ainda funcionava.

Quando o cinema ainda funcionava.

De 1989 a 2011 esteve neste estado.

De 1989 a 2011 esteve neste estado.

E agora de cara limpa.

E agora de cara limpa.

Existe um artigo mais completo no site Cinemas do Porto. Poderá também ser consultado o site do hotel.

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A poucos passos do Águia d’Ouro fica o antigo Cinema Batalha. Até há poucos meses, o destino deste edifício emblemático da Baixa portuense parecia incerto. Classificado como imóvel de interesse público, sòmente em Novembro do ano passado, esta obra assinada pelo arquitecto Artur Andrade e inaugurada em 1947 é de grande originalidade e beleza estetécticas.

Quando o Batalha era cinema.

Quando o Batalha era cinema.

Foi com satisfação que, ao procurar dados para este artigo, dei com a notícia de que o Batalha foi salvo e, ainda por cima, com dignidade.

Devo ressalvar, que este foi talvez o cinema que mais frequentei na minha infância e do qual tenho agradáveis recordações, bem como lembranças ainda bastante vivas do seu belo interior.

Pois bem, o Batalha vai, muito em breve, passar a ser a Casa do Cinema do Porto. Bela iniciativa e feliz escolha! O Porto bem a merece, já que foi por ele (através de Aurélio Paz dos Reis) que o cinema entrou em Portugal e aqui nasceu e fez seus primeiros filmes o nosso maior cineasta que aliás se irá envolver na criação desta intituição.

O Frigorífico do Peixe de Massarelos (Porto)

Há décadas (nem me lembro quantas) que sempre que dava aquele passeio, tão do meu agrado, pela marginal do Douro, no Porto, reparavava demoradamente e com crescente indignação, num edifício muito degradado, mas que, mesmo assim, deixava transparecer o que outrora deveria ter sido mais um dos muitos e belos exemplares da arquitectura modernista no Porto.

Para ilustrar o que digo, eis uma fotografia que tirei, há alguns meses, ao referido edifício:

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Na altura, não tive como saber que edifício era este. Contudo, depois de muito pesquisar na Net, fiquei a saber do que se tratava.

Classificado como imóvel de interesse público em 1977 (ver link do IGESPAR), esta construção dos anos 30 do século passado, com desenho do arquitecto Januário Godinho, teve a função, até aos anos 60, de lota do peixe.

Há uma descrição mais pormenorizada deste imóvel neste link da Universidade do Porto.

No Porto, como em todo o país, muito património foi irremediavelmente destruído, mas também muito foi recuperado. Um exemplo recente disso foi a transformação do antigo cinema Águia d’Ouro. E, segundo apurei no site Porto24, será também esta a solução para o antigo Entreposto Frigoríco do Peixe de Massarelos. A sua localização é previlegiada — de frente para o rio e ao lado do museu da STCP.

Este escapou, como décadas de abandono, mas escapou. E o antigo edifício do CLIP, na Foz do Douro escapará, já que não é mais que um esquelecto exposto aos anos, às intempéries e à estupidez de quem de direito (ou indireito)?

Ruin'Art-1218A imagem acima foi tirada do excelente blog Ruin’Arte que tem um artigo sobre este assunto.

A Wikipédia também se faz a partir do Porto.

Desde que me mudei para o Porto que me queixo frequentemente da falta de eventos culturais e até mesmo dum nível bem inferior ao de Lisboa. É claro que os portuenses ficarão ofendidos com este meu modo de ver as coisas, porque, ao fim e ao cabo, o que é preciso é procurar.

Vejo semanalmente o excelente (e premiado) programa do Porto Canal, da autoria do Dr. Joel Cleto “Caminhos da História“, onde muito tenho aprendido. Fiquei inclusive a saber que a Wikipédia em Português também se faz a partir do Porto. Poderá ler neste link um artigo sobre o assunto.

Um “Poema” de Janita Salomé

Gosto muito de Janita Salomé desde que ouvi o álbum “Cantar ao Sol” de 1983. Infelizmente é um cantor/compositor pouco divulgado.

O que me agrada em muitas das músicas dele, são os sons do Magreb que mistura com poesia luso-árabe. Todavia, as suas canções transportam-nos às amplas planuras cálidas do Alentejo.

Para ilustrar, escolhi uma das minhas favoritas. É muito pouco conhecida. Chama-se “Poema” e é do álbum de 1987 “Olho de Fogo”. A música de Janita Salomé com o poema de José Bebiano formam um doce embalo que faz sonhar.

Rock Nacional

Não morro de amores por este estilo musical feito em português e só conhecia esta banda de nome. Mas um dia, ao ver umas coisas no YouTube, dei com este vídeo e achei que a música não fica muito a dever ao que se faz nos países anglófonos.

São Mamede de Infesta – cidade com ares de aldeia

Fica pegada ao Porto, apenas uma estrada (Estrada da Circunvalação) separa estas duas cidades. Contudo, São Mamede de Infesta tem ares e espírito aldeãos. Aqui não há cimento ao alto, pelo contrário, até há muito arvoredo; aqui todos se conhecem, o que para mim é maçador, acostumada que estava ao anonimato das grandes cidades.

Embora tenha vindo aqui cair de pára-quedas (passo a expressão), já que o que tencionava era viver na cidade do Porto, simpatizo com São Mamede.

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Já tenho visto abaterem aqui umas quantas árvores, mas esta ficou, bela e frondosa, no meio de um cruzamento. 

Clique aqui para ver album de imagens de São Mamede.

Canção de Portugal

Esta é, para mim, a canção que representa o Portugal da transição do século XX para o século XXI. Representa um “Portugal-outro, mas bem conhecido, aquele que cada português transporta com uma obssessão e um temor sagrados nos seus confrontos com espelhos alheios”.


Por espelhos alheios posso tomar como exemplo a música pop ou fusion que se faz na Europa. É que nesta canção de 1993, os arranjos feitos por Dulce Pontes, Guilherme Inês e Ramón Galarza à melodia de Ferrer Trindade, conferiram-lhe excelência em contemporaneidade e internacionalidade. Prova disso é o uso que Hollywood e muitos cantores estrangeiros têm feito desta versão e não de outras.

Mas, no tempo da ditadura, a letra de Frederico de Brito não era do agrado dos da situação. Por isso, no YouTube, só se ouve a Amália Rodrigues a cantar um fado chamado ”Solidão”, com a mesma melodia da “Canção do Mar” (ver aqui história desta canção).

O videoclip está muito bem concebido. O farol, o guia de homens de vida dura, como os que podemos ver nas tocantes cenas do filme de Leitão de Barros “Maria do Mar“. Também os penhascos do Cabo Espichel, alteando sobre a imensidão oceânica, dão a censação de infinidade.

A silhueta solitária da cantora em trajes esvoçantes, acompanhada do perfil de um antigo morábito e do vôo da gaivota, sugerem viagens de ida, insinuam outros lugares e outros tempos.

Esta é a canção do nosso mar, o mar num apelo que se estende ao país inteiro a todo o povo, um povo antigo temperado a sal.

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Nota: Todas as citações são de Eduardo Lourenço, na sua obra “O Labirinto da Saudade”.

Peixe Congelado – A Menina Pescadinha

Há tempos, nas minha navegações pela Net, encontrei um artigo sobre a Menina Pescadinha. Era uma figura de desenhos animados que aparecia na televisão (antes do 25 de Abril), de propaganda ao peixe congelado.

Nos anos 60 do século passado, a população não estava habituada ao peixe congelado e, assim, havia que dar um incentivo através da publicidade (ver vídeo no Youtube). A publicidade da SAPP (entidade estatal que distribuia, pelo país e colónias, o peixe congelado) também abrangeu as crianças pois nas tabacarias e bancas de jornais, vendia-se um livrinho de histórias da Menina Pescadinha (impresso em 1967), de que ainda possuo um exemplar.

Pescadinha Para mais informações relacionadas com este tema, existem online dois artigos interessantes: um sobre Henrique Tenreiro e outro sobre a Docapesca.